A vontade de viajar

A vontade de viajar

Semanas atrás, um leitor me escreveu perguntando de onde surgiu a minha vontade de viajar. Aí pensei “Como assim? Ele quer saber se um dia eu acordei com vontade de viajar e saí viajando por aí?”. Então tentei responder a pergunta como se viajar fosse a prática de um esporte, como o que me levou a praticar triatlo. Mas aí entendi que também não dá para responder assim, afinal uma viagem é algo com começo, meio e fim. Não se pratica a mesma viagem continuamente até quebrar os próprios records. E eu também não pratico triatlo.

Então, achei melhor rever meu histórico de viagem para tentar responder. Definitivamente não adquiri esse “hábito” da minha família, uma vez que meus pais quase não viajam. A primeira vez que fiz uma viagem grande foi aos 13 anos pra Disney e confesso que não foi amor à primeira viagem. E depois disso fiz apenas pequenas viagens perto de casa e só fui viajar para longe novamente aos 24 anos quando me mudei para os Estados Unidos. Foi lá que comecei a viajar de verdade porque trabalhava e tinha dinheiro para tal. Mas nada disso responde a pergunta do leitor. E até fiz uma lista de possíveis razões pelas quais eu tenho vontade de viajar. No entanto não cheguei à nenhuma conclusão…

Afinal, de onde surge a vontade de viajar?

Michael Barrat, um astronauta da Nasa que, além de querer ir para Marte, é mergulhador, piloto de avião e velejador, tem uma explicação: “Foi assim em todo ponto da história humana. A sociedade desenvolve uma tecnologia desde aprender a se proteger e encontrar comida até construir um navio ou lançar um foguete. E sempre há uma pessoa com vontade de usar tudo isso para explorar coisas novas”.

Claro que nem todos nós queremos viajar de foguete ou velejar pelo oceano. Mas o fato é que a maioria de nós é curioso, gostamos de explorar de alguma forma, mesmo que seja “só para ver o que tem lá”.

E há uma explicação bem simples para tudo isso: a imaginação. Por exemplo, eu não sou muito fã de velejar. Mas se eu estiver na praia observando barcos, minha imaginação vai longe e imediatamente eu vou querer pular naquele barco e sair explorando por aí. Jim Noonan, um pesquisador de antropologia evolucionária, diz que quando somamos nossa imaginação à capacidade de mobilidade do nosso corpo, queremos nos movimentar e explorar ainda mais. Esta é a vontade.

Portanto, querido leitor, a minha resposta pra você é que eu acho que ando imaginando demais porque minha vontade de viajar surge com bastante frequência quando vejo um avião no céu, uma foto de uma praia que ainda não fui ou o cenário de um quadro. E às vezes minha imaginação vai além e acabo até viajando de graça através dos livros. E como meu corpo foi feito para explorar, muitas vezes enfrento horas de carro, ônibus e até durmo no aeroporto – quem mandou imaginar tanto? Neste exato momento, estou com três viagens planejadas só de imaginar. Opa, quatro, acabei de imaginar outra. E se você estiver aí passando vontade também, eu só posso te dizer uma coisa: essa sua imaginação ainda vai te levar longe…

Texto originalmente publicado na minha coluna do Estadão, Amanda Viaja.

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