Eu amo Nova York. Mas Nova York não me ama.

Eu já morava nos Estados Unidos quando fui a Nova York pela primeira vez. Desci de malinha na Times Square em pleno 25 de dezembro de frio e neve para ficar na casa de amigos em Midtown por uma semana. Meu desânimo para ir a Nova York era tanto que em uma ligação de “Feliz Natal” para minha família, ainda no aeroporto, minha mãe chegou a dizer: “Nossa, nem parece que você está indo pra Nova York”. Não parecia mesmo. Mas é que eu andava desanimada com a vida, sozinha e precisando de uma mudança. E se você está sob essas condições meu conselho é: Não vá para Nova York.

Imediatamente, chegando na cidade, me apaixonei pelas luzes, pelo movimento e até pelas sirenes de ambulância pela madrugada. A cidade tinha vida e era o que eu precisava naquele momento. Engatei um romance e passava o dia na exposição do Tim Burton no MoMA, andando pelo Central Park, conhecendo Downtown e também me deliciando em brunches sem nem me preocupar com a vida pois agora havia uma solução: iria me mudar pra lá.

Voltei da cidade com um romance no coração e uma ideia na cabeça: vou estudar jornalismo em Nova York, morar no West Village, viver o romance com o “amor da minha vida” e ganhar dinheiro sabe-se lá como. E a partir desse plano “perfeito” dei início a todos os processos de mudança: documentos para a Universidade, testes de inglês, venda dos móveis da minha casa em Minneapolis e viagens mensais a Nova York para alimentar o namoro e me ambientar com a “minha” cidade. E como você deve saber, não é difícil se ambientar em Nova York. Cada passeio no High Line Park faz você se sentir uma pessoa mais hypada, uma peça na Broadway faz você se sentir mais culta e um drink em qualquer rooftop faz você se sentir mais rico. Agora imagina andar de mãos de dadas pelo Central Park? Faz você ter certeza de que sua vida é um filme de comédia romântica onde tudo dá certo no final.

Acontece que a vida não é uma comédia romântica e a secretária da Universidade de Nova York sabia disso melhor do que eu. Meus documentos enviados sempre tinham algum problema que eu precisava revisar, o prazo para inscrições no curso estavam se esgotando e “I´m sorry mas você não vai conseguir estudar aqui no próximo semestre”. Fiz mais uma tentativa e novamente documentos, testes, entrevistas e mais um semestre de espera. E enquanto isso, a cada viagem a Nova York eu sofria uma decepção: o romance acabou, descobri que transferir o visto de trabalho para Nova York não seria fácil em tempos de crise econômica, morar no West Village não era tão fácil quando você não tem dinheiro e que mesmo se fosse aprovada na Universidade não conseguiria pagar a mensalidade.

E, finalmente, não fui aprovada.

Conforme minhas possibilidades de morar na Big Apple iam se esgotando, foi ficando mais sem graça visitar a cidade. Era como se eu tivesse perdido a batalha e fosse rejeitada. Hoje, três anos depois, aprendi a ser apenas mais uma turista na cidade que todos amam declaradamente e que muitos desejam morar. Descobri que Nova York é uma daquelas cidades das quais ela te escolhe e não o contrário. E ela não me escolheu.

Texto originalmente publicado na minha coluna no Estadão, Amanda Viaja.

 

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