Eu poderia nunca ter voltado de Cancun, mas alguém foi gentil comigo

Eu poderia nunca ter voltado de Cancun, mas alguém foi gentil comigo

Era hora de ir embora de Cancun, a Disney tropical. Depois de gastar nosso dinheiro em margaritas, piña colada e compras, meu amigo e eu achamos melhor irmos ao aeroporto de ônibus, afinal o transporte público de lá era exemplar e “não tinha erro”.

Nos informarmos sobre como chegar ao aeroporto dessa forma – “pega o que vai naquela direção”, “tem que ser o R2”, “aí você desce em tal lugar”, e entramos no ônibus perguntando ao motorista mal-humorado se poderíamos descer no aeroporto, só para confirmar. E ele disse que… atenção à resposta: sim!

Sentadinhos e mulambentos de tanto suar e segurar a mala, começamos a achar que estava demorando demais pra chegar. Fui falar com o motorista novamente, que só balançou a cabeça como um suposto “sim”. Só que não.

De repente, algumas mexicanas eufóricas nos avisam que aquele ônibus, na verdade, não passa no aeroporto e que seria melhor descermos ali, em uma espécie de além-centro de Cancun. Aquele lugar que nenhum turista vai.

Confusos, descemos arrastando as malas sem saber pra onde ir. E uma mexicana, que também desceu do ônibus, começou a explicar onde poderíamos pegar um taxi. Um taxi! Aquele que não quisemos pegar lá na porta do hotel pra ficar andando de ônibus e mala no calor de 40 graus de Cancun.

Não entendi nada da explicação dela. Mas juro que sou “avançado” no español!

Então, para minha surpresa, ela praticamente pegou na nossa mão e nos levou a um ponto próximo. Não falava nada, mas pelos gestos, sabia o que estava fazendo.

E quando encontramos um taxi, ela começou a negociar com o taxista a nossa corrida. Negociou a ponto de brigar! E eu nem achava que ela precisava brigar tanto assim, afinal, eu é que ía entrar naquele carro num país desconhecido… mas ela brigou! Brigou, tirou um papelzinho do bolso, anotou o nome dela, e-mail, telefone e nos entregou.

Eu, que não estou acostumada com a gentileza dos outros, entrei no taxi pensando “nossa, mal conversamos e ela já quer que adicione no Face…”. Mas aí  percebi que, na verdade, era um bilhete de “se você for assaltada, sequestrada, estuprada ou se o taxista não levar vocês ao aeroporto, me liga”.

Mas chegamos ao aeroporto. E sã e salva, fiquei pensando nessa mulher com o gesto mais gentil da viagem inteira! O gesto de ficar andando com a gente no centro de Cancun, de se atrasar para o trabalho por nós, de se preocupar com o valor que pagaríamos e ainda passar seu contato para dois estrangeiros desconhecidos com uma mala vermelha ridícula na mão! E eu nem adicionei ela no Face…

 

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