Guia Cuba: Havana e Varadero

Guia Cuba: Havana e Varadero

Eu queria conhecer Cuba há muito tempo. E agora que conheci, tudo o que eu quero é voltar pra lá!

No entanto, foi uma viagem diferente das que eu costumo fazer: cara. Estou até agora sofrendo para pagar a viagem. Comprei um pacote de viagem passagens + hotéis pois passagens para Cuba geralmente são caras quando compradas separadas e um hotel. Tudo ficou ainda mais caro porque comprei 2 meses antes de viajar e ainda para o Carnaval! No pacote todo paguei paguei em torno de R$5700 (apenas os dois dias em Varadero foram em hotel all inclusive). Os gastos em Cuba foram razoáveis. Não é tudo super barato mas confesso que também não fiquei economizando em coisas que realmente queria fazer.

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Vou contar aqui a minha experiência nessa viagem que fiz acompanhada do namorado, com dicas baseadas no que vivi por lá e que podem te ajudar com algumas dúvidas.

Melhor época para ir: De Novembro a Abril por ser a estação seca mais ainda assim, calor. De Maio a Outubro é a época quente e chuvosa e você ainda corre o risco de pegar um furacão. Eu fui em março, na semana do carnaval

Quantos dias para conhecer tudo: Passei no total 8 dias: 6 dias em Havana e 2 dias inteiros em Varadero. Deu para fazer tudo o que eu queria e não senti que faltou tempo, mas não me importaria em passar mais uns 2 dias fazendo nada no all inclusive de Varadero. Dez dias no total teriam sido perfeitos.

Visto e documentos necessários: Para ir a Cuba você precisa tirar o visto que é válido por 30 dias e prorrogável por mais 30. É super fácil e custa apenas R$45. Mas há apenas dois consulados no Brasil: São Paulo e Brasília. Caso não esteja em nenhuma dessas duas cidades, você pode tirar pelo correio com os seguintes custos: R$45 (taxa visto) + Sedex (R$50) + Taxa de trâmite de R$75 = R$170. Os documentos necessários para qualquer pessoa tirar o visto são: passaporte válido, cópia das passagens de ida e volta compradas, cópia da reserva do hotel e formulário de solicitação preenchido. Com esses documentos, basta comparecer ao consulado cubano das 9h30 às 12h30 e você recebe o visto na mesma hora. Para aqueles que não irão comparecer ao consulado, basta enviar por Sedex todos os documentos citados acima, mas não o passaporte original e sim uma cópia das páginas 1, 2 e 3. e um comprovante do depósito de R$170 reais. Para a entrada no país também é  necessário uma carteirinha de vacinação comprovando que você tomou a vacina contra febre amarela. Chegando lá, a imigração não me pediu a carteirinha (ainda bem porque eu tinha esquecido) mas é bom levar a sua.

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Comprar passagens: Em geral, não compensa você comprar a passagem para Cuba separado do hotel pois a passagem sozinha é muito cara. A não ser que você pegue uma boa promoção. Não foi o meu caso. Eu comprei o pacote em cima da hora (início de janeiro para viajar no início de março) e acabei pagando caro, inclusive porque seria Carnaval no Brasil. Então, como sempre, meu conselho é que você compre com antecedência e pesquise os preços. Eu chequei os preços em vários sites e através de uma simulação de pacote no Submarino encontrei o que eu poderia pagar, levei até uma agência de viagens e disse: “eu quero isso, por no máximo esse preço”. A agência conseguiu fazer um pouco mais barato. Paguei:

Onde ficar: Eu fiquei em um hotel tradicional de Havana, o Habana Libre na região de Vedado em Havana, que em 1959 foi ocupado pelos rebeldes de Fidel Castro que o transformaram em um quartel temporário. E de uma suíte em um dos últimos andares, Castro comandou o país. O hotel é bacana, mas não é “super top”. Minha paixão foi o Hotel Nacional, outro hotel tradicional de Havana de frente para o mar e para a famosa avenida Malecón. Não conheci os quartos do Hotel Nacional, mas todo fim de tarde eu passava lá para tomar um mojito (o melhor que tomei em Havana), fumar um charuto e curtir o pôr do sol. No entanto, Havana tem muitos lugares tradicionalíssimos para ficar como os hostals e hotéis coloniais que muitas vezes são casas de famílias cubanas. Em Varadero me hospedei no resort all inclusive Blau Varadero que é uma maravilha. Adoro um hostel, mas um resort 4 estrelas de vez em quando não é nada mau.

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Vista do Hotel Habana Libre, em Havana

Onde comer: Comer é algo bastante pessoal. Há pessoas que não gostam de gastar com comida para poder gastar com outras coisas. E outras gostam de passar pela experiência gastronômica do lugar. Eu faço parte do segundo grupo, mas não significa que como coisas caras o tempo todo. Eu tento revezar e compensar refeições. Em Cuba eles comem basicamente arroz, feijão preto e um pescado ou frutos do mar. Tudo sem muito tempero. As experiências gastronômicas mais bacanas ficam nos paladares que são restaurantes pequenos e familiares, geralmente em casarões, permitidos pelo governo desde que paguem uma taxa mensal. A experiência é legal pois é a própria família quem prepara as refeições. Os preços podem variar de CUC$8 a CUC$25.

Como ir do aeroporto até o hotel: O aeroporto fica longe da cidade e a melhor forma é pegando um táxi por CUC$20.

Transporte em Havana: A qualquer lugar que você vá em Havana o táxi custa CUC$5, sem taxímetro. Portanto, confirme esse valor com o taxista antes de entrar no táxi para que ele não tente te dar o golpe turístico. Outra opção bacana é pegar o ônibus “hop on hop off” que também custa apenas CUC$5 e para em todos os pontos turísticos da cidade. Fiz isso um dia e achei o máximo. E se você quiser ir para Varadero, a opção mais barata é pegar um ônibus na rodoviária por CUC$10 e em 3 horas você está no paraíso. O ônibus não é super confortável mas tem ar condicionado e a vista é linda. Além disso ele passa por Matanza, uma cidade bonitinha e mais parada no tempo que Havana.

Dinheiro e gastos: Cuba possui um economia dupla onde os pesos conversíveis chamado de “cucs” (CUC$) e pesos cubanos circulam simultaneamente. Os turistas utilizam os conversíveis. E o ideal é levar euros e trocar lá pois além de você não encontrar CUC$ no Brasil, dólares são taxados em 10% devido ao embargo. A relação reais para CUC$ é de 1 real = 0,50 CUC$. Euros em alguns lugares são bem aceitos, mas não é o que recomendo.

Idioma: O idioma em Cuba é o espanhol. E nos hotéis eles falam inglês também pois há muitos turistas europeus e canadenses por lá. Você não terá muitas dificuldades em se comunicar se praticar o “portunhol”.

Meu Roteiro

Na minha viagem eu priorizei Havana a Varadero pois sabia que em Varadero não havia atrações além do mar paradisíaco.

Dia 1: Como cheguei à tarde, a única coisa que consegui fazer foi reconhecer território ao redor do hotel e jantar no Paladar Aires, localizado na vizinhança do hotel. Com 1 entrada + 2 mojitos + 2 cervejas + 1 sobremesa eu gastei CUC$33. Mas o mais legal era uma senhoria tocando no violão uma música típica cubana ao fundo.

Eu (cansada depois de 200 horas de voo, mas feliz) em um paladar na primeira noite em Cuba. E o charme da tiazinha tocando música cubana ao fundo?!
Eu (cansada depois de 200 horas de voo, mas feliz) em um paladar na primeira noite em Cuba. E o charme da tiazinha tocando música cubana ao fundo?!

Dia 2: Peguei um táxi e fui à Habana Vieja, um bairro famoso por ser histórico e turístico em Havana. Além das praças, museus e paladares você pode conhecer algumas das ruas que foram restauradas em Havana. Na Praça das Armas aproveitei para parar nas barraquinhas e xeretar em alguns livros, quadros e artes cubanas. Adoro parar para falar com essas pessoas e conhecer um pouco melhor da história do país. Em Habana Vieja aproveitei também para almoçar em um paladar chamado Lima e comprar charutos em uma das casas de charuto do bairro. Aliás, a melhor forma de comprar charuto é essa. Muitas pessoas irão oferecer pelas ruas, mas pela qualidade não vale a pena. Além disso, nas casas de charuto você pode ter uma verdadeira aula sobre charutos. Ali por perto, em Habana Vieja, fica o Capitólio. Portanto, dei uma passadinha lá também. Para minha tristeza, o Capitólio estava sendo restaurado. Mas tristeza, não. Fiquei feliz por estarem fazendo isso na cidade. À noite, eu pretendia jantar na tradicional Casa de la Amistad estava fechada para um evento privado e acabei jantando em restaurante novo chamado Metrópolis. O mais interessante do Metrópolis é que, apesar de ser um casarão antigo, a decoração dele é toda contemporânea, com imagens de Nova York. E imagine que há cubanos que não fazem ideia de como seja uma metrópole ou Nova York! No fim da noite, fui à uma casa de jazz tradicional de Havana, o Jazz Club com uma programação de jazz cubano de primeira qualidade.

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Dia 3: Logo de manhã peguei um desses ônibus “hop on hop off” de sightseeing. Não é o tipo de coisa que eu costumo fazer nas minhas viagens, mas sabe que foi ótimo! Custava apenas CUC$5 e você poderia rodar com ele o dia todo por toda a Havana e ainda nas cidades aos redor, como Miramar. À tarde peguei um táxi direto para o Hotel Nacional, tradicional em Havana. A grande delícia no Hotel Nacional é ver o pôr do sol de frente para o mar, fumando charuto e tomando um mojito delicioso (na minha opinião, o melhor da cidade). E para melhorar ainda mais, alguns trovadores ficam tocando uma música cubana maravilhosa ao fundo. Na minha viagem as tardes no Hotel Nacional foram uma das melhores coisas.

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Rua de Habana Vieja restaurada
Rua de Habana Vieja restaurada
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Trovadores no Hotel Nacional

Dia 4: Acordei às 6h30 da manhã para ir à rodoviária e pegar um ônibus para Varadero. A passagem saiu por apenas CUC$10 e a rodoviária é bem precária. É legal também porque é onde você encontra vários mochileiros indo para diferentes destinos em Cuba. O ônibus também não é dos melhores, mas tem ar condicionado! A vista é linda e as estradas são muito boas, melhores do que muitas no Brasil. Levamos 3 horas para chegar em Varadero mas em uma viagem agradável, com uma parada em Matanza. Um cidade mais parada no tempo do que Havana, mas que me lembrou muito algumas cidades do interior do Brasil. Chegando no resort Blau Varadero, a surpresa foi muito boa. O resort é realmente muito bom com todas aquelas mordomias que desejamos de um resort (do tipo que te serve uma taça de champanhe assim que você pisa no hall de entrada, mesmo que você esteja todo desengonçado e jogando a mochila no chão de tão pesada). Em Varadero não há nada para fazer além de curtir o resort e o mar maravilhos (o mais lindo que já vi). E fazer “tudo” isso já é bastante coisa. Mas é por isso que você deve escolher um bom resort, porque é lá que você vai ficar o tempo todo. Considere que eu revezava entre mar, pegar um novo drink, comer, piscina, espreguiçadeira e começar tudo de novo. Haviam uns barquinhos/pedalinhos e caiaques disponíveis no resort. Eu amava pegar esses barquinhos e ir pedalando até alto mar e tomar um sol no barquinho, mergulhar naquele mar cristalino e tranquilo e relaxar.

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Dia 5: Acordei, tomei café da manhã e fui fazer snorkeling com um tamaracá que levava as pessoas perto de recifes e corais para mergulharmos. Apesar de não ter muita variedade de peixes, a experiência foi deliciosa! O mar de Varadero é realmente uma piscina! Estávamos a 5 metros de profundidade e era possível ver o chão do mar. Perguntei ao barqueiro sobre tubarões e ele disse que não se vê, apesar dos pescadores pegarem alguns tubarões à noite. No entanto não há nenhum histórico de ataques. Nesse mesmo dia estava tão cansada (mentira) que fiz até uma massagem e tirei um cochilo nas espreguiçadeiras embaixo dos coqueiros.

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Dia 6: Mais uma manhã sem fazer nada no resort a não ser relaxar. Uma observação curiosa é que há muitos canadenses no resort. Você não vê tantos em Havana, mas em Varadero há muitos. Uma outra coisa interessante é que no resort haviam algumas lojas e tudo custava o mesmo preço de qualquer outra loja. Ou seja, eles não cobram mais caro só porque está dentro do resort. Na parte da tarde voltei para Havana também de ônibus. Curiosidades: em um momento o ônibus parou para o motorista e o  inspetor do ônibus fumarem. Outra coisa, o toque do celular do inspetor era uma música do Usher, canto de hip hop americano. Chegando em Havana, fui jantar no Hotel Nacional que foi um péssimo negócio. A comida não era boa e a mais cara que já havia comido em Cuba.

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O caminho do Blau Varadero resort que leva ao mar

Dia 7: Aproveitei que já tinha visto bastante coisa em Havana e voltei à Habana Vieja para tirar umas fotos e ver as coisas com mais calma. Depois de passar a manhã e almoçar por lá, decidi ir ao Hotel Nacional novamente para mais um mojito. Mas dessa vez fui andando pela Malecón e foi umas das coisas mais legais que fiz em Havana. A avenida, além de linda e tranquila, faz com que você encontre pessoas interessantes pelo caminho: crianças pulando no mar, tocador de saxofone, estudantes em seus bonitos uniformes, casais apaixonados, etc. E para deixar tudo ainda mais bonito, o mar estava de ressaca, batendo fortemente nas pedras e até molhando a avenida. Foi uma looooonga caminhada até o Hotel Nacional. Mas valeu a pena. Depois do Hotel Nacional, voltei para o meu hotel, descansei e à noite voltei para o Hotel Nacional mas dessa vez para o show no cabaret do hotel (Cabaret Parisien). Confesso que não gostei muito pois achei muito turístico demais mas meu namorado gostou. Pagamos CUC$58 cada um, que incluía o espetáculo + jantar com bebidas e sobremesa. Talvez eu não tenha gostado também porque estava morrendo de sono. O cabaret mais famoso em Cuba é o Tropicana. Mas fica longe de Havana, em Miramar. No entanto, podemos dizer que o Cabaret Parisien é o segundo mais famoso.

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Dia 8: Dia de partir e aproveitei para dar uma volta no bairro do meu hotel que era bem legal. Fui sozinha e fiquei espantada em como os homens cubanos molestam as mulheres. Eles simplesmente param para olhar a mulher a ponto de você ter que desviar, às vezes dizem alguma coisa. Nada obsceno, mas é estranho. No entanto, os casos de violência em Cuba são raros e isso me deixava mais tranquila.

Na hora de ir embora tive uma surpresa no aeroporto. Todos devem pagar uma taxa de aeroporto de CUC$25. Eu estava com o dinheiro contado! Mas deu tudo certo.

Uma das coisas que me ajudou muito nessa viagem foi o guia de Cuba do Lonely Planet. Além dos guias te ajudarem a saber melhor para onde ir (apesar do mapa dele estar errado), o guia conta toda a história de Cuba. E isso faz toda a diferença quando você viaja. Mais interessante do que ver os pontos turísticos é saber o que aconteceu ali. Principalmente em Cuba.

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Todas as fotos são do meu arquivo pessoal e não devem ser reproduzidas sem autorização prévia.

6 Comments

  1. Paulo Silva Júnior

    Boa tarde!
    Olá Amanda tudo bem? Quanto você pagou de hospedagem em Varadero? Tenho vontade de conhecer. Além de Varadero, você indicaria outras prais na região? Quando você diz que pagou CUC$25, convertendo para o real quanto daria?

    • Oi Paulo, eu não lemebro quanto paguei, mas fiquei no Blau Varadero all inclusive. Quando eu fui a relação reais para CUC$ era de 1 real = 0,50 CUC$. Tem que consultar quanto está hoje, se mudou.
      Existem muitas praias na região. Uma que todos falam é Cayos Cocos que também deve ser muito bonita.
      Boa viagem

      • Excelente texto, um relato fiel da Cuba que conheci. Fui duas vezes e tamanho foi meu encantamento com Habana Vieja que acabei curtindo pouco as praias – íamos às Praias do Leste, mais perto de Havana. Na próxima viagem farei o contrário: primeiro, Varadero, depois Havana.

  2. Paula Fagnani

    Oi Amanda, tudo bem?
    Vou para Cuba daqui 2 semanas e estou em dúvida sobre como ir de Havana para Varadero.
    Alguns blogs indicam o ônibus da Via Azul e outros falam na comodidade em pagar um pouco mais por um transfer que te pega no hotel (também vou ficar no Habana Libre).
    O que você acha?
    Você comprou a passagem de ônibus com antecedência ou no próprio dia?
    Obrigada!!

    • Eu fui de busão. Acordei cedo, fui até o ponto e lá comprei a passagem. Eu acho que não precisa comprar antes porque tem bastante ônibus. Achei o ônibus super tranquilo, não tenho que do que reclamar. Quanto ao transfer, não conheço pra dizer e comparar.
      Bjo

  3. Muito 10!!!

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