Patagônia Argentina: roteiro e guia

A Patagônia Argentina foi um dos lugares mais surpreendentes que eu já estive! Aqui estou contando todos os meus passos nessa viagem e muitas dicas.

Qual é a melhor época para ir à Patagônia Argentina?

A época mais barata (baixa temporada) é durante todo o inverno: maio a setembro. Mas o problema de ir nessa época é que você não consegue fazer muito dos passeios que fecham devido ao inverno (o trekking no glaciar, por exemplo). A alta temporada vai de outubro a fevereiro. E altíssima (mais cara) é dezembro e janeiro. Portanto se fosse para eu ir novamente, iria em março, abril ou setembro que fica mais barato e ainda dá para aproveitar todos os passeios.

Quantos dias para conhecer a conhecer a Patagônia?

5 dias

Quais são os documentos necessários para viajar para a Argentina?

Para viajar na América do Sul você só precisa de RG.

Como comprar passagens para a Patagônia Argentina?

No meu caso foi assim: Aerolíneas Argentinas de SP –> conexão em Buenos Aires –> El Calafate. Passei três dias em Calafate e peguei um ônibus de 3 horas para El Chalten, passei uma noite e voltei de ônibus para El Calafate. Passei mais duas noites em El Calafate e de lá peguei um voo para o Ushuaia. As Aerolíneas Argentinas já estão oferecendo passagens de São Paulo direto para Trelew (outra cidade da Patagônia), mas de lá você precisa pegar um outro voo ou ônibus se quiser ir para El Calafate ou outro lugar

Como ir de El Calafate para El Chaltén?

De ônibus. São 3 horas de viagem (R$75). Sai de El Calafate todos os dias às 8h e volta de El Chalten às 18h. Recomendo passar uma noite em El Chaltén (fiz isso). Quem gosta muito de trekking e escalada pode até ficar mais pois lá é bastante conhecido por isso. Na cidade de El Chalten em si, apesar de fofa, não tem nada pra fazer. É minúscula.

O que levar para a Patagônia Argentina?

As roupas mais confortáveis que você tiver e de inverno: casaco esportivo, calça (jeans e calça confortável pra fazer trekking), luva, gorro, tênis e, se possível, uma bota de hiking. Esqueça sandália, salto… esquece tudo isso porque lá não tem espaço para frescurite. Lá venta e é seco pra caramba. E a temperatura também não ajuda. Mesmo indo em novembro (verão) fazia frio. Leve protetor solar pois mesmo com o frio faz sol e queima; e também um protetor labial.

O que eu levei na minha mochila:

Mulheres que conseguem manterem-se lindas durante uma viagem roots: não sou uma delas. Isso quer dizer que na minha mochila vai pouca vaidade):

  • 2 calças jeans (1 para fazer trilha, outra para ficar limpa),
  • 1 calça de ginástica (para trekkings que precisavam de conforto),
  • 4 camisetas básicas do meu namorado (dessas confortáveis, que só ele tinha),
  • 2 blusas finas de frio para colocar embaixo das camisetas,
  • 1 casaco de frio esportivo,
  • 1 casaco de frio de linho,
  • 1 bota de trilha,
  • chinelo,
  • meias e roupas de baixo,
  • 1 mochila de pano, que não pesa, para usar durante o dia
  • pijama,
  • óculos de grau (eu preciso)
  • 2 óculos de sol (sei lá porquê dois),
  • meu computador (porque eu tenho que escrever),
  • 1 necessaire com todas as tranqueiras de higiene e beleza (sabonete, escova de dente, pasta, lenços umedecidos, remédios, etc) e mais uns colarzinhos pra colocar de vez em quando.
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Look trilha no gelo
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Look trilha-trilha

Onde se hospedar em El Calafate e El Chaltén?

Em El Calafate eu fiquei no hostel America del Sur (super recomendo) e em El Chalten fiquei no hostel Rancho Grande (não recomendo mas era o único disponível para aquela noite. Hostels que me recomendaram, mas não conheci: Albergue Patagônia e Condor de los Andes). Veja as minhas histórias nesses hostels aqui

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Hostel America del Sur. Vibe boa!
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Vista do hostel America del Sur. Você toma café-da-manhã todos os dias com essa vista. Olha a lagoa turquesa lá no fundo.

Como ir do aeroporto/rodoviária até a cidade/hostel/hotel?

Em El Calafate, o hostel America del Sur oferece um transfer por 100 pesos. Outras opções do aeroporto para a cidade são:

  • Ônibus do aeroporto para a cidade = 100 pesos
  • Táxi do aeroporto para local de hospedagem = 400 pesos (você consegue facilmente dividir com outras pessoas. Eu fiz isso).
  • A rodoviária de El Calafate também é bem centralizada e dá para ir a pé dependendo de onde você está hospedado.
  • Em El Chaltén não existe aeroporto, apenas rodoviária. E você pode ir caminhando até seu local de hospedagem.

Como se transportar em El Calafate e El Chalten?

A pé basicamente. A não ser que você esteja hospedado longe de tudo. Aí vai precisar de um táxi. Para fazer os passeios específicos você fará de ônibus. Esse ônibus pode estar incluso no passeio que você comprou pela agência ou o ônibus sai da rodoviária. Se informe no hostel/hotel que eles te darão a melhor direção para tudo.

Qual moeda levar para a Patagônia Argentina?

A moeda oficial da Argentina é o peso argentino (conversão comum de achar por lá é R$ 1 = 4 pesos). Alguns lugares aceitam reais, mas é mais difícil encontrar. Eu levei uma parte em dólares e outra em pesos. Mas um aviso: sempre que você paga em dólares, eles voltam o troco em pesos. Cartões de crédito também são bem aceitos.

Como é o idioma na Patagônia Argentina?

O idioma na Argentina é o espanhol. Nos hostels/hotéis eles falam inglês também pois há muitos gringos trabalhando por lá. Mas se você não fala nem espanhol e nem inglês, não se preocupe! O portunhol é bem aceito.

Tem baladas na Patagônia Argentina?

Olha, deve existir. Mas a vibe do lugar não é essa. Patagônia é um lugar de aventuras, que cansa de fazer caminhadas, trilhas e outras atividades (se você não cansar é porque tá fazendo só o basicão). Portanto, as pessoas que estão viajando para esses lugares estão mais na vibe de curtir o dia do que se acabar na balada e não conseguir fazer nada no dia seguinte. Mas nada impede você de tomar uma cerveja ou vinho nos barzinhos ou no hostel.

Como fazer compras na Patagônia?

Uhn, sério mesmo que você quer fazer compras na Patagônia? Não é o melhor lugar, as coisas são caras. Mas existem lojinhas sim.

Meu roteiro

Dia 1Foi um dia em que eu estava ainda meio perdida e não sabia como fazer as coisas. Aí fiz algo meio furada: fui até a rodoviária, peguei o ônibus (R$75) às 8h para o parque do Glaciar Perito Moreno (R$38) e de lá fiz o passeio de barco (R$45) que chega próximo ao Perito Moreno. É um catamarã cheio de gente, muitos idosos e que você chega perto do Glaciar. Foi um passeio ok. Depois disso, peguei o ônibus e fui para o mirante ver o Perito Moreno. É demais! Fiquei lá das 12h até às 16h. É bastante tempo, mas é o horário disponível do ônibus. Mas dá para aproveitar esse tempo, fugir para uma parte distante da multidão e fazer um lanchinho enquanto assiste o glaciar Perito Moreno em ação. Eu me encantei por ele justamente por ser ativo! Vez em quando um bloco de gelo do glaciar se desprende fazendo um barulho e caindo na água mudando toda a paisagem do lugar.

Foi um dia bom, mas por que furada? Porque no dia seguinte fiz o trekking no glaciar que novamente me fez pegar esse barco e ir ao mirante. Portanto, poderia ter aproveitado esse primeiro dia para fazer outra coisa se soubesse que no dia seguinte faria praticamente o mesmo passeio.

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Dia 2: Às 11h o ônibus da Hielo y Aventura, agência que contratei para o fazer o mini trekking (R$275)passou para me pegar no hostel. Seguimos para o parque do Glaciar Perito Moreno, paguei novamente a entrada que já havia pago no dia anterior, o ônibus nos levou ao mirante do Perito Moreno onde passamos uma hora lá. Depois o ônibus nos leva ao porto onde pegamos o barco (o mesmo que eu havia feito no dia anterior) e nos leva até o lugar onde você coloca os crampons (aquele negócio embaixo do sapato que “espeta” no gelo) e começa o trekking no glaciar. É uma super emoção caminhar pelo glaciar e além disso, você recebe uma super explicação de glaciologia. No final, eles servem alfajor + whisky on the rocks, com o gelo do glaciar, claro. Depois de duas horas de trekking, retornamos para os hostels.

Obs: O mini trekking é delicioso, mas eu queria ter feito o Big Ice que são 4 horas de trekking invés de duas horas, mas não havia disponibilidade.

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Antes do trekking, um aviso.
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Colocando os crampons (aqueles espetos debaixo da bota).

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Todo mundo pronto.
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Bora lá! A subida cansa e demora um tempo para se acostumar a andar…
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Já andei muito na neve. Mas num glaciar é bem diferente…

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whisky on the (glaciar) rocks

Dia 3: Peguei o ônibus às 8h (R$138 ida e volta) para ir a El Chalten. Ônibus super confortável e três horinhas de viagem. Chegando lá, fiz uma trilha curta de 3 horas ida e volta para a Laguna Torre. Me hospedei no hostel Rancho Grande (veja o que eu achei dele e suas histórias aqui). Fui dormir cansada e no dia seguinte acordei cedo para fazer a trilha para o mirante do Fitz Roy. Vou te dizer que não foi fácil a trilha de 2 horas para chegar no mirante e depois mais 2 para voltar. Não tenho um bom condicionamento físico e de repente estava lá subindo a montanha. Mas vale muito a pena e é super possível! No caminho da trilha vi quatro mulheres grávidas (eu contei!). Chegando no mirante foi lindo e realmente impressionante. De lá da pra seguir para uma outra vista do Fitz Roy que é a da Laguna Capri. Linda também! Se você quiser, pode seguir mais adiante na trilha e em mais dus horas você chega mais perto ainda do Fitz Roy, onde todos dizem ser sensacional. Eu já estava satisfeita mas bem que queria ter feito essa trilha também.

Depois dessa trilha, parti para El Calafate no ônibus das 18h.

Uma amiga que morou um tempo na Patagônia já havia me dito para ir a El Chaltén mas eu não dei muita atenção. No entanto é um lugar que realmente surpreende. Uma cidadezinha minúscula, mas com inúmeras trilhas para fazer. E o melhor: tudo de graça! Dizem que a vista e montanhas não diferem muito de Torres del Paine, na Patagônia Chilena.

View of El Chaltén, Argentina
Cidade de El Chaltén. Foto: viventura.com
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Vista da janela do meu quarto no hostel Rancho Grande
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Mirante Fitz Roy
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Laguna Capri com Fitz Roy ao fundo.

Dia 4: Em El Calafate tive um dia meio tranquilo, de descanso, andando pela cidade e curtindo. Aproveitei para almoçar no restaurante Isabel, que fica localizado junto ao Calafate Hostel. Comi um cordeiro patagônico que você não pode deixar de provar! O prato era enorme! Comi tanto e bebi vinho que fui até o hostel tirar uma soneca. Foi importante ter esse dia de descanso. Eu estava numa pegada de trekking todos os dias e foi bom ter um dia relax.

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centrinho de El Calafate
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Cordeiro Patagônico no Restaurante Isabel
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Uhnnn…

Dia 5: A triste notícia foi que meu kaiaking no Glaciar Upsala havia sido cancelado por condições do tempo; ventava muito. Queria muito fazer esse passeio porque você navega entre os icebergs. Mas para não ficar tão desapontada, escolhi outro passeio no Upsala pela agência Mil Outdoor Adventure, no qual você pega um catamarã (cheio de idosos mas legal) e vai até o Glaciar Upsala (R$275). No começo fui um pouco desapontada porque pensei que fosse ser algo meio boring, tipo o barco que peguei no primeiro dia para ver o Perito Moreno. Mas me surpreendi! Fui do lado de fora do barco e a paisagem é linda! Muitas montanhas com gelo, rio cor turquesa e o melhor: ICEBERGS! Que emoção! O glaciar Upsala também é lindo, todo misterioso… E o que eu não sabia quando comprei esse passeio é que ele também passa pelo Glaciar Spegazzini que é ainda mais impressionante pelo seu formato. Foi um dia lindo, emocionante e assim consegui fechar o meu passeio na Patagônia com chave de ouro.

Voltei às 3 da tarde para a cidade, almocei no Cambalache, um restaurante simples, descolado e barato que eu gostaria que ficasse na esquina da minha casa. Ele fica ao lado do restaurante Isabel no Hostel Calafate.

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Isso atrás de mim é um iceberg!
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Aqui também!
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Glaciar Spegazzini (achei muito lindo!)
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Olha essa água turquesa #nofilter
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Um quase glaciar
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Feliz em frente ao Spegazzini
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Eu fui muito feliz na Patagônia 🙂

Obs:

  • Todos os valores são referentes ao mês de novembro/2014 e estão sujeitos à alteração (uma vez que a inflação na Argentina sobre a cada 4 meses). Para a conversão do valor em real foi utilizado: R$ 1 = 4 pesos.
  • Os passeios de trekking no Perito Moreno e barco no Upsala devem ser agendados com, no mínimo, 1 dia de antecedência no hostel/hotel ou através das agências no centro da cidade (tem uma do lado da outra).

Fotos: arquivo pessoal

 

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