Guia de Paraty, onde natureza exuberante, patrimônio colonial e cultura se encontram

Você sabia que recentemente Paraty, junto com Ilha Grande, foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco? É o primeiro destino no Brasil (e na América do Sul!) a ser tombado na categoria mista, ou seja, de abrangência cultural e natural.

O título inédito reconhece o valor histórico da região, um dos principais portos comerciais do país no século 18, e a natureza abundante do Parque Estadual da Serra do Mar, onde existe a maior área contínua remanescente de Mata Atlântica. 

Como se não bastasse ter vestígios do rico passado e vegetação nativa bem preservados, Paraty ainda tem uma agenda cultural movimentadíssima. O grande destaque é a Flip, o evento literário mais prestigiado do país, mas a verdade é que Paraty tem atrações culturais ao longo de todo o ano!

Reuni nesse artigo dicas dos principais atrativos de Paraty, incluindo o centro histórico, as praias e cachoeiras, e informações práticas para organizar a sua viagem para um dos destinos mais charmosos do Rio de Janeiro. 

Onde fica Paraty? 

Paraty tá no litoral do Rio de Janeiro, a 250km da capital carioca. Também tá bem pertinho da fronteira desse estado com São Paulo, a cerca de 280km da capital paulista.

Como chegar à Paraty? 

Os aeroportos mais próximos são o Galeão e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, seguido por Congonhas, em São Paulo. Dá para combinar a viagem a Paraty com outros destinos no litoral carioca e paulista, como Angra dos Reis e Ubatuba, respectivamente. 

Eu sugiro alugar um carro no Rio ou em São Paulo para já poder usar o veículo para conhecer as praias nos arredores da cidade, mas também dá para chegar de ônibus e contratar passeios ou usar transporte público. 

De carro

No Rio, a partir do centro, basta seguir as direções para pegar a Avenida Brasil e em seguida a BR 101. O trajeto é pela rodovia Rio-Santos, que percorre todo o litoral.

Quem vem de São Paulo deve pegar a BR 116 e seguir por 135km até o desvio para a BR 383, para Ubatuba. De lá, são mais 72 km até Paraty pela BR 101. O Google Maps sugere fazer o caminho pela BR 116 até a cidade de Guaratinguetá e de lá pegar a BR 459. O caminho é mais curto, mas pode levar mais de uma hora, já que a velocidade é reduzida e o tráfego é controlado no Parque Nacional da Serra da Bocaina, entre Cunha e Paraty. Só vale pegar a estrada se a ideia for curtir o visual. 

De ônibus

A Viação Costa Verde faz o trecho Rio-Paraty (passagem a partir de R$ 79; 4h30 de viagem), saindo da rodoviária Novo Rio. Em São Paulo, a rota é operada a partir do Terminal Tietê pela Reunidas Paulista (passagens R$ 86-104; 6h de viagem).

Melhor época para ir a Paraty?

Em Paraty, o verão é quente e úmido. Ou seja, chove bastante. Por isso, mesmo sendo alta temporada, não é a melhor época: os preços são mais caros, as praias lotam, a cidade alaga e pode até ter queda de energia. As trilhas e estradinhas de terra da região podem ter acesso interrompido.

O inverno é a estação seca, com dias quentes e noites amenas. Talvez você precise usar um casaquinho a noite, mas de dia rola até pegar praia. 

Na primavera e outono, as temperaturas são mais altas, mas as chuvas intensas já marcam presença. Maio e setembro ainda são bons meses. Independente da época do ano, sempre é mais tranquilo curtir a cidade em dias de semana (sábado e domingo o fluxo de turistas é bem maior, assim como as diárias nos hotéis de Paraty). 

 

 

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Festivais em Paraty

Ao planejar a data da viagem, é importante lembrar dos festivais em Paraty. Alguns eventos culturais e religiosos costumam atrair ainda mais visitantes, o que também encarece a estadia durante essa época.

FLIP Paraty

A FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty, tem uma programação com palestras, discussões e oficinas literárias, sempre no mês de julho. O evento, reconhecido internacionalmente, reúne nomes da literatura nacional e internacional e entusiastas literários. A cada edição é feita uma homenagem a um autor: em 2019, o escolhido foi Euclides da Cunha e o seu clássico “Os sertões”. 

Eventos culturais

Em setembro, os amantes da fotografia lotam a cidade durante o Paraty em Foco. Quem gosta de jazz e blues deve visitar a cidade em maio, quando acontece o Bourbon Festival Paraty. Música também é destaque no Viva o Verão, durante o mês de janeiro. Fãs da cachaça e dos sabores da culinária brasileira devem gostar do Festival da Cachaça, em agosto. 

Datas religiosas 

A forte cultura religiosa, herança do período colonial, deu origem à tradição das festas católicas. Paraty é bastante movimentada durante a Páscoa (normalmente em abril), a Festa do Divino (no final de maio) e Corpus Christi (meados de junho), data na qual tapetes de flores, serragem e areia cobrem as ruas de pé-de-moleque.

Outras festas populares são as de Nossa Senhora dos Remédios, padroeira de Paraty, entre agosto e setembro, e de Santa Rita, que às vezes coincide com a Flip, no final de julho.

Quantos dias em Paraty?

Dá pra ter uma ideia de Paraty em dois dias inteiros — um para explorar o centro histórico e o vilarejo de Trindade e outro para fazer um passeio de barco pela baía. Eu considero ideal pelo menos três dias, para poder dedicar mais tempo às praias e cachoeiras da região. Se você quiser ficar 4 ou 5, atrativos não faltam. 

 

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O que fazer em Paraty?

Entre explorar as ruelas do centrinho histórico, curtir as praias, tomar banho de cachoeira e fazer passeios de barco, há muito o que fazer em Paraty. Selecionei o que eu considero imperdível!

Centro histórico de Paraty

Fundada em 1667, Paraty entrou para o mapa após a descoberta de ouro e outras preciosidades em Minas Gerais no comecinho do século 18. Depois que o Rio de Janeiro se tornou a capital da colônia, em 1763, foi inaugurado um novo caminho da Estrada Real, a única via por onde era autorizado transportar os minérios e diamantes extraídos. Com isso, a cidade perdeu a sua importância portuária e eventualmente entrou em declínio. 

Por muitos anos permaneceu esquecida, até ser redescoberta pelo turismo. Hoje, as ruas em pé-de-moleque, o colorido casario colonial, os charmosos restaurantes e lojinhas de artesanato são um convite a passear sem rumo (e com um tênis confortável!) pelo centrinho histórico.

O eixo turístico está concentrado entre a rua do Comércio e a Praça Matriz. Aliás, é nessa praça que charretes aguardam os turistas para um passeio guiado pelo centrinho.

Entre as principais atrações históricas, vale mencionar o Forte Defensor Perpétuo, a única fortificação da cidade, com uma vista panorâmica; e as igrejas coloniais, entre as quais se destacam:

  • Igreja da Matriz
  • Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito
  • Igreja Nossa Senhora das Dores
  • igreja de Santa Rita

Também vale dar uma passadinha no Cais de Paraty, se não para tirar fotos, pelo menos para negociar com os barqueiros o preço dos passeios de barco

Quem quiser conhecer o Caminho do Ouro, parte da antiga estrada, ainda hoje preservada, deve contratar um guia autorizado, já que a via hoje passa por propriedades particulares. O passeio, no meio do Parque Nacional da Serra da Bocaina, geralmente inclui visita a cachoeiras e alambiques da região.

Passeios de barco em Paraty

A baía de Paraty tem dezenas de ilhas e praias acessíveis apenas pelo mar. Em muitos pontos, as águas cristalinas são um convite para mergulhar e ver peixinhos. São três tipos de passeios de barco:

  • Passeios de escuna, com até 60 passageiros em itinerários de 5 a 6h, parando normalmente nas praias Vermelha e da Lula, na Ilha Comprida e na Lagoa Azul; preços a partir de R$ 60 por pessoa
  • Embarcar em uma traineira, um tradicional barco de madeira, com capacidade entre 10-15 passageiros e passeios privativos ou em grupos; preços a partir de R$ 150 por pessoa
  • Alugar uma lancha rápida, para 4 a 8 pessoas, a opção mais rápida e confortável para conhecer o maior número de lugares ou locais mais distantes; preços a partir de R$ 200 por pessoa

Você pode chegar na hora e negociar com os barqueiros ou reservar antecipadamente (e sem dor de cabeça) clicando aqui.

Praias em Paraty

A cidade de Paraty tem duas praias urbanas: a do Pontal, pertinho do centro, e a de Jabaquara, no bairro de mesmo nome, a 20min a pé. Essa segunda praia tem águas calmas e uma extensa faixa de areia, ótimo para prática de esportes náuticos como SUP. Tem também vários quiosques e restaurantes bacaninhas. 

Fora da cidade, acessíveis de barco, carro ou a partir de trilhas, são dezenas de praias paradisíacas. As preferidas entre os turistas estão em Trindade.

Praias em Trindade

A 25km ao sul do centro histórico, no interior da Área de Proteção Ambiental do Cairuçu, está o vilarejo de Trindade. Lá é tudo bastante rústico, com algumas pousadas, campings e restaurantes. Eu, pessoalmente, acho que não vale muito se hospedar lá, até porque o acesso de carro ou de ônibus a partir de Paraty é bem fácil e prático para passar o dia. 

Entre as praias, se destacam a Praia do Cepilho, popular entre surfistas; a dos Ranchos, com alguns restaurantes; a Praia do Meio, em zona protegida e portanto sem nenhuma barraquinha (às vezes tem vendedores ambulantes); e a Praia do Cachadaço, a mais linda de todas. Se você caminhar até a extremidade dessa praia e pegar uma trilha de 20 minutinhos pela mata, chega numa piscina natural entre as pedras simplesmente fantástica. 

A 10km do povoado, está o Condomínio Laranjeiras, onde começa uma trilha de 1h30 para a espetacular Praia do Sono, popular entre a galera que gosta de acampar. Também dá pra chegar lá com barcos que saem da Praia do Meio. 

 Paraty Mirim

Outro vilarejo é Paraty-Mirim, a 18km do centro, com praias repletas de traineiras e a antiga Igrejinha de Nossa Senhora da Conceição. É ponto de partida dos barcos para locais na área de preservação ambiental da Reserva Ecológica da Joatinga, como o Saco do Mamanguá, Praia da Sumaca, Ponta da Joatinga, Martim de Sá e Cairuçu das Pedras. 

São lugares de uma beleza praticamente intocada, com vários circuitos de trekking e campings nas praias.  

Saco do Mamanguá

O ecoturismo em Paraty é um dos destaques nessa península ao sul, acessível por Paraty-Mirim. Poucas pessoas o conhecem, mas ali se encontra o Saco do Mamanguá, o único fiorde brasileiro — isto é, uma entrada do mar entre montanhas —, com 8km de extensão e 2km de largura. Ao todo, são 33 praias e 8 comunidades caiçaras. Do Pico do Pão de Açúcar, se tem uma vista incrível. 

Cachoeiras

Para completar, a natureza estonteante da região também brinda os turistas com várias cachoeiras. As mais turísticas estão na estrada Paraty-Cunha, no Parque Nacional da Serra da Bocaina. 

Algumas estão em área particular, como a Cachoeira da Pedra Branca e a Cachoeira do Iriri, e por isso é necessário pagar uma taxa da entrada. Outras, como a Cachoeira do Taquari e a popular Cachoeira do Tobogã, tem livre acesso.

Várias agências oferecem passeios em jeeps 4×4 para as cachoeiras, geralmente combinado com uma visita aos tradicionais alambiques da região. 


Alambiques em Paraty

Paraty é famosa pela produção artesanal de cachaça (o nome da cidade já foi até sinônimo da bebida!). É possível visitar vários alambiques em funcionamento na região: 

  • Paratiana
  • Corisco
  • Pedra Branca
  • Engenho d’Ouro
  • Coqueiro
  • Maria Izabel

Dá pra conferir todos as informações no mapa dos alambiques no site da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Paraty.  

O que fazer em Paraty com chuva

Não tem jeito, dependendo da época, pegar chuva em Paraty é quase inevitável. Mesmo assim, vários passeios de barco e tours para as cachoeiras saem normalmente e você vai ver gente curtindo as praias mesmo com uma leve garoa. 

Pode ser melhor evitar fazer as trilhas mais difíceis e as estradinhas de terra que levam aos vilarejos vizinhos, principalmente por conta própria. Se a chuva for muito intensa, o melhor é calçar um bom par de sapatos, pegar o guarda-chuva e perambular pela cidade. Aproveite para fazer as clássicas fotos das construções coloniais refletidas em poças d’água!

O que fazer em Paraty com chuva?

Onde fazer compras em Paraty

Tem muitas lojinhas em Paraty de todos os tipos. Mais caras com produtos mais sofisticados e de decoração, mais baratas que funcionam mais como souvenir e também tem algumas pessoas vendendo artesanato pelas ruas. Eu não poderia deixar de dar a dica de uma loja que fui que tinha muitos produtos de artesanatos bonitos e coloniais por um preço mais barato do que as outras lojas (vai ver que é porque ela fica mais discreta). O nome da loja é Artesanato Craguata (R. da Lapa, 92-68 – Centro Histórico). Pode colocar no google maps que você acha. Comprei um tucano de madeira lindo por lá por R$60

Pousadas em Paraty

Redes hoteleiras e resorts são raros em Paraty, onde a hospedagem típica são as pousadas, várias delas instaladas em charmosas casas coloniais. Não que isso signifique menos conforto ou luxo, muito pelo contrário. Algumas pousadas boutique, inclusive, podem custar tanto quanto um hotel 4-5 estrelas. 

Eu selecionei algumas das alternativas de hospedagem em Paraty que considerei de melhor custo-benefício, em diferentes faixas de preços. Também já fiz um post super completo sobre onde ficar em Paraty com sugestões dos leitores. Naturalmente, ficar no centrinho histórico é a melhor opção, mas as diárias são bem mais caras. Quem quiser economizar, pode ficar em bairros mais distantes e igualmente agradáveis, como em direção à praia de Jabaquara ou à estrada Paraty-Cunha, com muito verde. 

Onde eu já fiquei: A Pousada Bartholomeu foi o lugar mais legal que já me hospedei em Paraty. Além da excelente localização, a pousada tem quartos e ares coloniais bem típicos de Paraty. Além disso tem um café-da-manhã delicioso e bem servido e um restaurante onde você pode almoçar e jantar se quiser.

Outras opções legais:

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Che Lagardo Hostel
Carpe Diem Hostel

$$
Pousada Aurora
Pousada Bartholomeu

$$$
Pousada Corsário
Pousada Morro do Forte
Pousada Arte Urquijo
Pousada do Ouro

$$$$
Pousada do Sandi
Pousada Literária
Casa Turquesa

 

Veja todos os posts sobre Paraty

Onde ficar em Paraty: as 23 melhores pousadas e hostels

Pousada em Parathy: Bartholomeu

 

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