O que fazer em Tulum, México

Alguns anos atrás passei uma semana em Cancun e aproveitei um dia do meu roteiro para conhecer Tulum, motivada pelo desejo de conhecer as suas Ruínas Maias. O sítio arqueológico beirando o mar azul fizeram com que eu prometesse a mim mesma que da próxima vez que voltasse a Riviera Maya, ficaria hospedada nessa cidadezinha. Enquanto isso não acontece, preparei um guia completo sobre o que fazer em Tulum.

O que fazer em Tulum

Como chegar a Tulum

Para chegar até lá, eu peguei um avião de Tuxtla Gutierrez (próximo a San Cristóbal de Las Casas, onde eu estava) até Cancun. Mas o mais comum é pegar um voo a partir da Cidade do México, com saídas frequentes.

Já em Cancun, peguei um ônibus da empresa ADO no próprio aeroporto até Playa del Carmen. De lá, segui também de bus para Tulum. Foi super fácil! Eles são super organizados e não tem erro. Há muitos turistas no ônibus.

O que fazer em Tulum: descobrir a cultura maia

Nessa região floresceram muitos centros urbanos maias, civilização que se desenvolveu a partir de 1000 a.C até a chegada dos espanhóis, no século 16. O seu auge foi durante o período clássico, entre 250 d.C e 900 d.C, quando existiram mais de 40 cidades maias, onde viviam milhões de habitantes.

Os templos e sítios arqueológicos deixados pelos maias constituem um dos principais atrativos da região. Não deixe de lado a oportunidade de conhecer pelo menos um deles, para entender um pouco sobre a história e a cultura de uma das principais civilizações do nosso continente.

Ruínas Maias de Tulum

Parada obrigatória, essa é a principal atração de Tulum. O sítio arqueológico, situado sobre um penhasco, remonta ao século 6. É impossível não se impressionar com as ruínas contornadas pelo mar de tons azuis. Sem dúvidas esse é um dos sítios arqueológicos mais fotogênicos do país.

Situado bem próximo ao centrinho, o local concentra o maior número de turistas e não é o melhor lugar para tomar sol ou pegar uma praia. A não ser, é claro, que você queira dar um rápido mergulho para se refrescar do calor infernal de Tulum. Aliás, vá preparado com muito protetor solar, chapéu e óculos. O calor também é surpreendente.

O que fazer em Tulum: Ruínas Maias

O que fazer em Tulum: Ruínas Maias

Chichén Itzá

Tulum é uma das bases turísticas mais próximas desse sítio arqueológico, que foi um dos principais centros urbanos da civilização maia. Ainda sim, são mais de 150km de distância até lá. Quando estive em Cancun pela primeira vez, fui embora muito arrependida por não ter ido a Chichén Itzá, cuja pirâmide foi considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Ainda bem que eu tive uma nova oportunidade: o lugar é lindíssimo e a pirâmide toda perfeitinha.

Para chegar lá, eu preferi alugar um carro na Payless Car Rental com as minhas amigas, numa viagem de duas horas e meia e muita aventura! Acabou saindo mais barato (R$153 por pessoa, incluindo a entrada do parque e do cenote Ik Kil, que, individualmente, custam R$40 e R$15, respectivamente) do que o valor de um tour (em torno de US$50, ou R$200).

A maioria das excursões visita também Valladolid, charmosa cidade colonial a 40km do sítio arqueológico, e algum cenote nos arredores (veja mais a seguir).

Cobá

Muita gente nos indicou Cobá, que fica no caminho de Tulum para Chichén Itza, a cerca de 50km da cidade. Porém, no dia que alugamos o carro, estávamos cansadas e resolvemos deixar esse sítio arqueológico de lado. Se você fizer esse trajeto de carro, acho que vale pelo menos dar um pulinho em Cobá. A entrada custa menos de R$10 (38 pesos).

O interessante é que as ruínas começaram a ser construídas antes mesmo de Tulum e de Chichén Itza, no período clássico, em meados dos anos 500.

O que fazer em Tulum: sítio arqueológico Cobá

O que fazer em Tulum: mergulhar nos cenotes

Os cenotes são uma dessas coisas absurdas da natureza: piscinas naturais de um inacreditável azul, escondidas dentro de cavidades similares a cavernas. Fazem até você se perguntar como isso é possível!

Essa espetacular formação da natureza, originada por uma série de processos geomorfológicos e pelo acúmulo de água da chuva, era muito importante para a cultura maia, que tinha acesso limitado a rios e outras fontes de água doce. Dizem as lendas que eles inclusive os consideravam uma passagem para outro mundo.

Esse tipo de gruta d’água é típico da Península de Yucatán, onde estima-se que existam mais de 7 mil cenotes. É possível visitar vários deles, pagando taxas de visitação, que podem variar de R$15 a R$60. Atividades extras, como mergulho, têm outros valores. Leve sempre dinheiro em espécie, já que praticamente nenhum deles aceita outra forma de pagamento.

É possível relaxar, tomar banho de sol, mergulhar, praticar snorkeling ou mesmo só ficar de queixo caído com tanta beleza. No entanto, as águas são geladas, com temperatura em torno de 25º C.

A seguir, listei alguns dos mais famosos.

Gran Cenote

O Gran Cenote fica a apenas 5km do centro de Tulum e a melhor maneira que encontrei para chegar até lá foi de táxi. E como valeu a pena!

Um dos mais famosos, o Gran Cenote tem uma combinação incrível de vegetação exuberante, curiosas formações rochosas e águas cristalinas. Por causa da alta incidência de luz direta, suas águas apresentam tons belíssimos. Dá pra ver vários peixinhos e até tartarugas nadando!

Entrada: 180 pesos (cerca de R$38)

 

Cenote Ik-kil

Pertinho do complexo arqueológico de Chichén-Itza, está o cenote Ik-Kil, com o seu um profundo poço ornado pelas raízes das plantas penduradas caverna adentro. Do mirante de cima a vista já é incrível!

É uma das coisas mais impressionantes, mas estava tãããão lotado que nem consegui ficar por muito tempo. Desanimei. Na entrada do cenote você já vê a quantidade de ônibus de tours parados no estacionamento. Mas o lugar é deslumbrante! Dá para entrar na água também.

Entrada: 80 pesos (cerca de R$16,60)

O que fazer em Tulum: Cenote Ik kil
Crédito da foto: tuulavintage.com
O que fazer em Tulum: Cenote Ik Kil
Crédito da foto: nipunscorp.com

Cenote Dos Ojos

Infelizmente não pude visitar o Cenote Dos Ojos, mas ele também está entre os mais recomendados. Está localizado na costa, a 20km ao norte do centro de Tulum, no caminho para Playa del Carmen. Para chegar por conta própria, sem carro, basta pegar as vans que vão até essa cidade (custa em torno de 30 pesos).

Leva o nome de Dos Ojos, que em português significa Dois Olhos, porque é formado por dois poços circulares, um ao lado do outro. Eles estão conectados por uma passagem subaquática de aproximadamente 400m.

Esse é um dos lugares mais aconselhados para fazer o passeio de mergulho. Acompanhado de um guia, você passa pela zona cavernosa entre os dois cenotes até chegar à Bat Cave.

Entrada para os dois cenotes: 350 pesos (R$72)

O que fazer em Tulum: Cenote Dos Ojos
Crédito: cdn.secretearth.com

 

Cenote Suytun

O cenote Suytun fica dentro de uma caverna e só pode ser acessado por uma estreita escadaria. Ao vencer os degraus, se chega a uma plataforma de pedra rodeada de águas azuis, em meio a uma caverna com estalactites gigantescas. A monumentalidade do local revela: esse era um antigo local de rituais maias. Seu nome, inclusive, vem da língua deles e significa “centro de pedra”.

Esse cenote se encontra a 8km da cidade de Valladolid, que, por sua vez, está a 100km de Tulum. Dá pra combinar uma visita a Suytun com o sítio arqueológico Chichén Itzá, a 53km, ou mesmo Cobá, a 50km. Várias empresas organizam excursões de dia inteiro pela área.

Entrada: 70 pesos (aproximadamente R$15)

 

Outros cenotes

O cenote Sac Atun, vizinho do Dos Ojos (a entrada é pelo mesmo caminho, mas está um pouco mais à frente), também faz sucesso entre os mergulhadores. Tem formações de estalactites bastante impressionantes!

Já quase em Playa del Carmen, o Jardin del Éden é um cenote a céu aberto, com uma piscina natural bem ampla, ótimo para nadar.

Localizado a duas quadras da praça central de Valladollid, a 40km das ruínas de Chichén Itzá, está o cenote Zaci, parcialmente encoberto por uma gruta. Está entre um dos mais profundos, com até 100m na parte mais funda!

Já o Calavera fez a sua fama no instagram: correram a rede fotos de blogueiras sobre uma corda que cruza as extremidades do cenote, formando uma espécie de balanço rústico. O lugar realmente tem sua beleza, mas não é dos mais legais para nadar e relaxar nas águas.  Para mergulho, só com certificação técnica.

 

O que fazer em Tulum: curtir as praias

Tulum tem mais de 20km de praias quase contínuas, começando nas Ruínas Maias, a oeste do centrinho, e terminando apenas no santuário ecológico de Sian Ka’an, sobre o qual falo em detalhes mais adiante(acredite, vale a pena ler!).

Pegue sua canga, estenda-a sobre a areia branquinha e deixe as horas passar enquanto você admira o azul turquesa insaciável do caribe mexicano. Ou escolha um beach club do seu estilo para passar o dia pegando sol e degustando comidinhas frescas, com muitas frutas, saladas, peixes e mariscos.

A primeira praia da orla é a Playa Paraiso, seguida imediatamente da Playa Pescadores, cujo nome já é um indicativo dos charmosos barquinhos que compõem o cenário local. Nesse trecho inicial você encontra hotéis com espaços abertos ao público de fora e alguns beach clubs, que dispõem de espreguiçadeiras e servem almoços, lanches e bebidas. Nesses locais, costuma-se cobrar um valor em consumação para utilizar o espaço.  Um dos mais populares é El Paraíso Beach Club.

O que fazer em Tulum: relaxar nos beach clubs
El Paraíso Beach Club

Na sequência, há um trecho em que pedras formam pequenas enseadas, com pouco ou nenhum espaço para caminhar. A parte mais charmosa fica um pouco mais ao sul, mais ou menos na altura do km 5 da rota litorânea, quando inicia a extensão única da praia. Por aqui há dezenas de hotéis, restaurantes e beach clubs pé na areia, com decoração rústica chique.

O Coco Tulum tem um deck de madeira e toda a sua ambientação pintados de branco, quase se mesclando aos tons da areia. Redes, pufes e balanços substituem cadeiras, para você poder relaxar enquanto você aprecia os drinques autorais da casa. O Papaya Playa Project tem uma pista de dança na areia e é famoso pelo sets de DJs internacionais.

Já o Ahau Tulum e o Ziggy Beach Club, com enormes camas em frente ao mar, são mais despojados. O Nomade, já quase no final da zona litorânea comercial, tem uma atmosfera muito agradável, com diversos espaços e uma decoração aconchegante.

Na alta temporada, a consumação mínima nesses lugares mais bacaninhas pode chegar a $50 USD.

O que fazer em Tulum: relaxar nos beach clubs
Nômade Tulum

 

O que fazer em Tulum: apreciar a natureza bruta

Quando pensamos em paisagens naturais de Tulum e da Riviera Maya, imediatamente faixas de areia e o mar caribenho vêm à mente. Mas a verdade é que essa região tem uma série de ecossistemas muito ricos, que proporcionam experiências bastante distintas.

Reserva Sian Ka’an

Seu nome, em maia, significa origem ou presente do céu. E de fato, Sian Ka’an é um paraíso!

Declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco, essa reserva ambiental reúne florestas tropicais, manguezais, pântanos e um litoral de 120km repleto de recifes de corais praticamente intactos. Os mais de 528 mil hectares servem de habitat para uma flora e fauna extraordinariamente rica, que inclui mais de 100 tipos de mamíferos e 300 espécies de aves.

E o melhor de tudo: o turismo em massa ainda não chegou em Sian Ka’an! E se depender dos operadores turísticos locais, nem vai chegar. Situada a 15km ao sul de Tulum, a reserva é administrada por descendentes dos maias, que promovem atividades turísticas sem comprometer a preservação do ambiente e da cultura das comunidades locais.

Entre os passeios oferecidos, o mais popular é o “Ancient Canal”, que dura 6h e consiste em uma navegação por lagoas, canais e manguezais da reserva, com paradas em alguns sítios arqueológicos (são 23 espalhados pela selva!). Um dos momentos mais interessantes do passeio é quando o barco aporta em um pequeno píer e você segue flutuando pelo canal, se deixando levar pela correnteza.

Sian Ka’an tem dois acessos principais: pela estrada 307 se chega à entrada das ruínas de Muyil, em meio a selva e próxima à torre de observação, e pela estrada 15 (orla hoteleira) se chega à entrada e centro de informações Arco Maya/El Último Maya.

Além disso, seguindo por essa segunda via, 40km adiante está a Punta Allen, a maior aldeia da reserva. Essa rota é ideal para explorar a parte litorânea da reserva e a sua fauna marítima (com direito a tartarugas, peixes-boi, crocodilos e golfinhos), além de poder fazer snorkel pelos recifes.

Carro é mais conveniente, mas é possível chegar a esses dois pontos de transporte público. Pergunte no seu hotel qual o colectivo a tomar — por causa dos horários limitados, pode ser necessário passar a noite na reserva. Há acampamentos e cabanas para alugar.

Eu não tive a oportunidade, mas acredito que essa seja uma das experiências mais interessantes em Tulum. Essa fantástica biodiversidade e o turismo sustentável promovido por moradores da região possibilitam aproveitar a natureza em todo o seu esplendor.

Laguna Bacalar

É uma lagoa com vários tons de azul, como se fosse o mar, só que de água doce! Eu queria muito ir a princípio, mas vi que ficava um pouco fora de mão, a mais de 200km ao sul de Tulum, quase na fronteira com Belize. Quem quiser conhecer a região, pode chegar lá de carro ou de ônibus — há saídas regulares de diversas cidades da Riviera Maya com a empresa de ônibus Ado.

A cidadezinha homônima, base para os turistas que desejam explorar as águas tranquilas da lagoa, é extremamente pacata, perfeita para quem quer se desligar do mundo. E o melhor, por ser um destino relativamente desconhecido, tem preços bastante em conta! Confira algumas opções de hotéis em Bacalar.

Deve ser lindo, mas não foi minha prioridade. Fica a dica!

Crédito: http://www.lagunabacalarinstitute.com/
Crédito: http://www.lagunabacalarinstitute.com/

Onde ficar em Tulum: opções de hotéis e hostels

Na época eu não sabia, mas Tulum, Playa del Carmen e Cancun são radicalmente diferentes entre si. De forma geral, podemos falar que Tulum tem um jeitinho quase hippie, Playa del Carmen tem clima de badalação e Cancun é mais família, no estilo resort americano. 

Se você gosta de ficar em lugares charmosos com clima tranquilo, recomendo muito se hospedar por aqui. Eu fiz um post completo sobre onde ficar em Tulum, mas resolvi incluir algumas sugestões de hotel e hostel nesse post.

Vale comentar que existem duas possibilidades de hospedagem: em Tulum Pueblo, onde você encontra supermercados e serviços gerais, assim como hostels e pousadas mais econômicas, e na Zona Hotelera, ao longo da orla, onde estão os hotéis-boutique hippie chic, com direito a terapias holísticas, aulas de yoga e restaurantes com comida saudável gourmet (e preços por noite bem mais caros, é claro). Independente da localização, quase todas as hospedagens disponibilizam bikes para os seus hóspedes.

Onde ficar em Tulum: Hostel Che Tulum Hostel Che Tulum

Localizado no centrinho da cidade, em uma área ampla e rodeada de vegetação, esse hostel tem quartos e dormitórios espaçosos, com boa iluminação natural.

A melhor área de convívio social é a piscina e o deck ao redor, onde viajantes costumam relaxar. Um café da manhã fresco e bem completo está incluído.

 

Hotel Serena Glamping

Situado no começo da orla da Zona Hotelera, esse charmoso hotel não tem acesso direto para a praia, mas em compensação tem piscina em um ambiente muito gostoso, em meio a uma densa área verde.

Os quartos são, na verdade, cabanas de acampamento bastante glamurosas (essa é a origem do termo glamping!). Os preços também são bem mais em conta que outros hotéis nessa região.

 

Onde ficar em Tulum: Chiringuito TulumChiringuito Tulum

Esse hotel boutique tem uma elegante decoração, com paredes de cal branca e mobiliário feito de elementos naturais como madeira e pedra. Todos os quartos dispõe de um terraço com uma belíssima vista. Ótima alternativa de hotel 4 estrelas, com piscina e de frente pra praia.

 

 

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