Romance na ponte aérea

Romance na ponte aérea

Já fazia um ano que eu havia voltado de Cusco com o Pedro dentro da mala e estava vivendo feliz pra sempre com ele no meu apartamento em São Paulo. Até que por uma dessas agruras da vida que ninguém sabe explicar, Pedro teve que voltar a viver em BH, sua cidade de verdade.

Eu, que um dia prometi que nunca mais teria um relacionamento à distância, estava mais uma vez procurando as passagens mais baratas para BH, fazendo a mala com mais frequência do que o normal e planejando uma ponte aérea melhor do que uma viagem pra Europa.

E nem é só a logística que dá trabalho. Percebi que com o romance à distância você vai criando um relacionamento sofrido onde a única pessoa que ganha é a companhia aérea. Porque você perde tempo procurando voos baratos, perde dinheiro e também perde a sorte de um amor tranquilo.

Tudo o que um relacionamento à distância não é, é tranquilo. Não por ciúmes ou possessividade (graçasadeus desse mal eu não sofro).  Mas porque você está sempre insatisfeito, à espera de que essa situação mude. Afinal, não é justo sentir amor e paixão sem poder desfrutá-los.

Nossa rotina se tornou… Uhn, não tem mais rotina. O Skype ajuda mas não salva, o Whatsapp é só pra dar um ‘oi’, ligações telefônicas não tem graça e quando a gente finalmente se encontra, é uma corrida contra o tempo distância. Haja amor!

E há amor. Se o Pedro não fosse o Pedro, eu nem teria todo esse trabalho. Se os motivos para a distância não fossem nobres, eu nem compreenderia. Esse romance tinha tudo pra dar errado, mas não deu. E se chegamos até aqui, foi porque os encontros sempre foram recheados de frio na barriga. Sempre pareceram uma lua-de-mel. E se for pra continuar assim, eu quero mais. O próximo é na Colômbia, ouvi dizer que lá é um ótimo lugar para curar um amor à distância.

Imagem: Brian Rea

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