Como viajar sozinho e não se sentir só

Como viajar sozinho e não se sentir só

Eu vou ser bem sincera com você. Fui viajar sozinha simplesmente porque não tinha companhia. Não foi para pensar na vida, nem porque sofri uma desilusão amorosa ou porque alguém que ia comigo furou no final.

Eu vivo com esse dilema de querer viajar e não encontrar companhia para ir junto. E como viagem é minha prioridade de vida, decidi que não podia tornar a falta de companhia um problema.

Comprei uma passagem para Cusco no Peru, dei um Google procurando o hostel mais animado de lá, fiz minha reserva e pronto! Até convidei umas amigas, mas sem grandes expectativas. Eu estava decidida a ir sozinha. Não era a minha primeira viagem sozinha, mas é que as experiências anteriores não haviam sido tão legais. Acho que eu não sabia ainda viajar desse jeito.

Eu moro em São Paulo, mas meu voo saía do Rio porque havia comprado uma passagem em promoção com saída do Rio. Mas eu aproveitei, fui um dia antes para o Rio com umas amigas, peguei uma noitada carioca e no dia seguinte, à uma da tarde, deixei desanimada minhas amigas na praia de Ipanema para seguir sozinha rumo a Cusco. Repito, desanimada. Quase com medinho de ficar deprê na viagem…

Mas chegando no meu hostel em Cusco, vi que não estava só. A maioria das mulheres viajavam sozinhas (e os homens em turma). E é isso que mostra a pesquisa da Federação Brasileira de Albergues da Juventude: 55% dos viajantes solitários que se hospedam em albergues são mulheres. Ponto pra gente. Os meninos até comentavam da nossa coragem…

Mas numa viagem sozinha não há competição, nem adversidades e nem exclusão. Para viajar sozinho você tem que estar aberto a conhecer pessoas e fazer amigos. A não ser que, claro, você queira ficar sozinho. Não era o meu caso, portanto eu não fiquei nem um segundo sozinha. Aliás, no fim da viagem eu já tinha esquecido que fui pra lá assim e quase alterei minha passagem pra viajar mais um pouco com as meninas que tinha conhecido.

Com essa experiência aprendi algumas coisas que gostaria de dividir com vocês:

Esteja aberto. Quando as pessoas estão viajando, estão no seu estado de maior essência, pois não há nenhum fator externo – stress, medo, compromissos agindo sobre a pessoa (bom, pelo menos não deveria ter). Portanto as pessoas são, na maioria das vezes, da forma como se apresentam a você. Não é incrível conhecer alguém de forma tão verdadeira?

O mundo é pequeno. No meu hostel eu conheci o irmão de um amigo do Brasil. E outras pessoas que estavam lá também haviam encontrado amigos por coincidência. Resumindo, estava tudo em família e todo mundo se conhecia.

Escolha um lugar animado para se hospedar. Como eu não queria ficar sozinha, escolhi o hostel mais animado da cidade, com festas todas as noites, tornando mais fácil a possibilidade de conhecer pessoas. E deu certo!

Os brasileiros são os mais legais. Sem preconceito nenhum, mas os brasileiros provavelmente serão os mais animados, mais receptivos e amigos. É cultural.

Não perca seu tempo dormindo. Quando fiz meu check in no hostel, fui logo dizendo: eu preciso dormir depois de tanto tempo de voo. Mas na mesma hora conheci um brasileiro e já animamos para sair e conhecer a cidade. Como conheci muita gente, dormia 2 horas por noite. Passava o dia todo andando por Machu Picchu e sítios arqueológicos e à noite ia pra balada.

Você pode não ter secador de cabelo, mas vai sobreviver. Eu passei uma semana andando com uma bota de trilha, sem condicionador, secador de cabelo, sem roupas limpas o tempo todo e obviamente sem maquiagem. E estava livre. Feliz da vida. Experimenta também!

Se divirta com a cultura local. Fui fazer todos os passeios, todas as baladas, comprei uma bolsa hippie com a estampa de lhama, masquei folha de coca para conseguir respirar, fui conhecer o trabalho das cholas e uma amiga até se apaixonou por um peruano! Ou seja, você deve aproveitar tudo o que o lugar tem a proporcionar.

Saia da sua zona de conforto. Tem sempre algo novo para aprender, alguém ensinando um fato interessante ou um momento que se você não viver agora não vai viver nunca mais.

Eu optei por viver todos os momentos. E foi uma das melhores viagens que já fiz.

4 Comments

  1. Espero que um dia eu consiga fazer isso!

  2. Conheci seu blog há 20 minutos e já estou apaixonada. Lendo tudo que aparece na minha frente sobre viagem, estou virando sua fã. Parabéns pela sua coragem de simplesmente viajar e estra aberta as coisas novas. Quero ser assim! Tentando tomar coragem, mas posso falar uma coisa?
    Parece que sempre há coisas e que nos prendem, seja faculdade, trabalho, estabilidade financeira, família que ao fazer pensar uma segunda e terceira vez, já me fazem ‘abandonar’ pensamento.

    Sorte para todas nós com o mesmo problema. Imagino a perfeição que é viajar sozinha. Preciso fazer isso na minha vida!

  3. Amanda, comecei a ler o seu blog porque irei à Cidade do México sozinha e amei!!
    Adoro viajar e, nem sempre minhas​ amigas, ou família, podem me acompanhar. Assim, encaro a viagem, na minha excelente companhia!
    Parabéns e muito obrigada pelas dicas​!

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