Uma pequena grande viagem

Pedro chegou em casa irritado dizendo que São Paulo não dava mais. Nos últimos meses temos nos revezado entre SP e BH, mas isso cansa, ele tem razão. E nesse dia ele chegou particularmente irritado com a cidade e repetindo que queria sossego. E eu, querendo acalmar a situação, tentava convencê-lo de que São Paulo ‘não é tão ruim assim’, mas na hora errada. Eram seis da tarde e no meio da conversa os carros passavam buzinando e até um helicóptero inventou de pousar no prédio ao lado nos impedindo de conversar com o barulho. E assim, Pedro devolvia os meus argumentos: “Tá vendo? Isso aqui é o caos”. É, não tinha muito como eu argumentar…

Então chegamos à conclusão de que seria bom passar o fim de semana longe da cidade. Fazia tempo que ele queria conhecer Maresias então esse foi o destino escolhido,

Fui atrás do aluguel do carro, da reserva da pousada e no dia seguinte lá estávamos nós, indo para Maresias com previsão de chuva para o final de semana e tudo. Coloquei na mala um livro (o Pedro dois), meu computador porque eu precisava trabalhar, cadernos de anotações com todos os textos que eu precisava escrever e assim fui preparada para um final de semana de chuva, porém produtivo em Maresias.

Como alugava uns anos atrás uma casa em Maresias por uma temporada com uns amigos, sabia como a cidade funcionava e já fui logo avisando sem desprezar: ‘Lá não tem nada’. Quem conhece Maresias sabe do que estou falando e que esse é o charme do lugar. E foi bom ter avisado: chegamos às 18h30 de uma sexta-feira fria, em baixa temporada e, como de praxe, com a rua deserta. Pedro não se abalou e repetia: “isso aqui é paz”.

E então a ‘mágica do nada em Maresias’ começou a acontecer… Pedro e eu fizemos o que não fazíamos há muito tempo: nada. Celular ficou de lado, computador não saiu da mala, os livros eu nem vi e, quando percebemos, estávamos estirados na cama rindo um do outro e conversando coisas que não tinham a menor importância. Se você me perguntar o que conversamos, eu não vou saber dizer. Eu sei que ele falava e eu ria. Eu falava e ele ria. O momento foi tão bom que não queríamos dormir para que não acabasse mais. Dois adolescentes apaixonados achando que não terão mais tempo para amar.

É que, deixa eu explicar, nós temos trabalhado tanto quando estamos juntos que no fim do dia é um que dá ‘boa noite’ enquanto o outro continua trabalhando.

Aí parei para pensar que mesmo dois meses atrás, quando fomos para a Colômbia juntos, não tivemos um momento como esse. Porque viajar tem esse lado todo meio planejado de “o que vamos fazer depois”. Então quando não estávamos fazendo algum tipo de turismo, estávamos cansados pelo turismo.

Mas em Maresias foi diferente. Não havia qualquer obrigação em se divertir, afinal, a praia fica aqui do lado e se chover o fim de semana inteiro, nós podemos voltar no fim de semana seguinte. Era uma viagem simples e rápida, sem muitos planos. E quando você fica desprovido de expectativas, qualquer coisa boa que acontece já é lucro. Chegamos lá com frio e chuva fina e, segundo a previsão, o fim de semana todo seria assim. Se Maresias já não tem nada para fazer normalmente, com chuva e frio muito menos. Mas soubemos transformar o ‘nada para fazer’ em ‘a coisa mais importante a fazer’ – ficarmos juntos puramente e sem interrupções.

No dia seguinte o sol apareceu para nossa surpresa e pudemos aproveitar o dia lindo na praia, correndo, tomando açaí, almoçando um peixinho com vista pro mar e fazendo tudo o que a cartilha litorânea pede. Mas o bom mesmo da viagem foi a noite em que não fizemos nada.

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 Ilustração: Surfinsantos.com.br

 

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