Guardando dinheiro para viajar e sofrendo

Guardando dinheiro para viajar e sofrendo

No sábado fui à festa de despedida de solteira de uma amiga. Demorei horas para escolher o que vestir porque faltava uma roupinha nova. Levei um vinho de R$40 que pra mim já é caro e, chegando lá, as meninas estavam lindas! Roupas lindas, sapatos lindos, bolsas lindas e uma delas até disse que tinha comprado um vestido da Patricia Bonaldi pro casamento. Gente, quanto custa um vestido da Patricia Bonaldi? E eu torcendo para que o vestido da minha formatura ainda esteja servindo para não ter que comprar outro… Pedi muito para que não fôssemos à uma balada cara, porque sabe como é sair em São Paulo, né? Quando você vê já está pagando R$70 só pra entrar numa balada ruim. E adivinha o que aconteceu? Paguei R$70 só pra entrar numa balada ruim. E como a balada estava ruim, fomos para uma outra festa que alguém ouviu dizer que estava bombando em Moema. Aimeudeus, isso não deve ser barato. Chegando lá (um táxi caro depois) tivemos a sorte de não precisar pagar os R$150 (!) para entrar na festa porque alguém conhecia alguém que conhecia o dono da festa. E como você entra numa festa de graça e não bebe nada? Será que tem alguma coisa baratinha? No fim da festa, peguei um táxi sozinha de Moema até a Paulista e, pra quem não conhece São Paulo, isso é longe e saiu bem caro. Lembro de sair do táxi fazendo as contas de quanto tinha gasto na noite inteira e parei na metade de tanto medo que fiquei do resultado.

Todas essas meninas são SUPER legais e queridas. E sorte delas que podem viajar e comprar coisas! Na verdade elas até me acham cool porque eu faço essas loucuras de viajar sozinha para lugares que elas nem pensaram em conhecer. E eu as acho cool porque elas têm roupas legais e viajam para lugares que nem sempre eu posso pagar pra ir. É uma troca de elogios do bem e com admiração. Cada uma com suas prioridades.

E enquanto as meninas contavam da bolsa Chanel que compraram em Vegas, eu só podia contar que tinha acabado de comprar passagens pro Ushuaia – o que provavelmente não as impressionou uma vez que eu vou de mochila nas costas, ficar hospedada em hostel e não fazer nenhuma compra.

Não, gente, eu não quero ser como essas meninas e comprar todas essas coisas caras que elas compram – mesmo porque meu lado hippie não me permite usar uma Louis Vuitton pendurada no meio do braço com elegância. Mas eu queria pelo menos poder comprar as coisas baratinhas que eu gosto sem que isso afete a minha economia do mês. Desde que comecei a trabalhar, guardei meus trocados para viajar porque sempre tive que escolher: comprar coisas ou fazer uma viagem. E, na maioria das vezes, escolhi a segunda opção sem arrependimentos.

Mas como esse ano resolvi radicalizar de vez e não comprar nada mesmo, nem uma meia, confesso que tenho sofrido um pouco com a falta de badulaques e às vezes conforto (momento desabafo)…

Tem essa coisa de andar de ônibus que está me cansando, gente. Ainda mais agora que o verão tá chegando. Me peguei alguns dias atrás inventando desculpas para voltar do trabalho de táxi e me arrepender quando chego na porta de casa porque deu R$35…

O pior é que uma amiga me convidou pra morar na casa dela por sete meses enquanto ela passa um tempo na Alemanha. Teria um apartamento de dois quartos, condomínio com piscina e ainda economizaria R$1000 por mês! Queria muito sair do meu apartamento de 30m² carééésimo. O problema é que o apartamento dela é longe do meu trabalho e teria que encarar DOIS ônibus pra ir trabalhar. Será que compensa?

Já somam meses de perrengue, quase um ano sem comprar roupas, meu secador de cabelo pifou e não tive coragem de comprar outro pra não gastar dinheiro, e ainda estou dando graçasadeus que meu aniversário está chegando pra ver se posso pedir essas coisas de presente.

A única coisa que me deixa mais tranquila é que acabei de comprar as passagens para Ushuaia (à vista!) e quando estiver lá não precisarei de roupas novas, secador de cabelo, pegar ônibus será um prazer sem trânsito e não vou ter que ir numa balada de R$150. A vida é linda em Ushuaia!

Estou descobrindo que essa coisa de economizar pra viajar tem muito mais a ver com paciência do que eu imaginava. E apesar da minha estar quase se esgotando, me apego à sensação de felicidade que vou sentir assim que me sentar no avião. E esse tipo de felicidade, pra mim, não dá para comparar com nenhuma bolsa Chanel.

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